Fernando
Tanajura Menezes
HAVERÁ PAZ?
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A
QUESTÃO DO ÍNDIO
Quando criança, em Salvador, lembro-me que, depois de muita espera, o bonde parava no
ponto e a turba desordenada avançava para pegar um lugar. Ninguém queria perder aquele
bonde porque o outro iria demorar muito a chegar. Com aquela confusão, ouvia-se logo os
gritos: Olha os índios... Na minha juventude, no Rio de Janeiro dos idos 60,
quando se dava uma idéia de fazer alguma coisa que fosse brega, cafona ou o que se pode
chamar agora de uma coisa popular, ouvia-se a expressão: Isso é programa de
índio. Voltando à minha adolescência na Bahia, quando os frades franciscanos, nos
domingos, me davam passes para ir ao Cinema Santo Antônio pelo meu bom desempenho nas
aulas de catecismo, nas matinés sempre era exibido um filme de mocinhos e índios. Estes
últimos no papel permantente de maus, bandidos, desordeiros e foras-da-lei. E assim
Hollywood lavou cerebralmente gerações, com seus atores brancos, pintados com
mercurocromo para representar os índios peles-vermelhas. Assim minha geração e todas as
anteriores e posteriores cresceram e se formaram com a informação que os índios -
habitantes das terras americanas ao chegarem os descobridores europeus - eram animais
desordeiros, incapazes, silvículas e que não mereciam viver em sociedade. O reflexo de
tudo isso pode ser sintetizado em uma simples palavra: Galdino. A veracidade das
intenções e do fato selvagem ocorrido há alguns anos no Planalto Central do País não
cabe apurar aqui. Recentemente, quando visitando Campo Grande (MS) para realizar uma noite
de autógrafos de um de meus livros de poesias, o Jornal de Domingo publicou uma matéria
com uma manchete entre escandalosa e sensacionalista: UM TUPINIQUIM EM NOVA
IORQUE. O interessante é que poucas pessoas sabem que eu sou descendente distante
dos Pataxós e no corpo da matéria me rotulavam de tupiniquim/baiano/nova-iorquino. Este
fato me inspirou a escrever o poema Tupiniquim. Este poema está me dando pano
pras mangas... Já foi publicado em jornais e abriu o meu mais recente livro de poesias
(Dos Beijos) recém-publicado no Rio de Janeiro pela Blocos Editora. Agora serviu de tema
para uma web page ( www.di.ufpe.br/~eas/Poesia
) para comemorar a passagem do Dia do Índio (dia 19 de abril), dividindo espaço com dois
monstros sagrados: Caetano Veloso e Gonçalves de Magalhães, o Visconde de Araguaia.
Muito me honram as companhias. Contudo, o que mais me fascina é o retorno do interesse da
juventude em falar sobre os índios de uma maneira inocente, romântica e, às vezes, até
idílica. Passados cinqüenta anos do Holocausto e vendo a História se repetir hoje em
Kosovo com a tentativa de eliminar determinados povos da face da terra, eu me pergunto:
não está na hora de repensar, revisitar e discutir a questão do índio?
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TODOS LOS DIAS
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METADE Metade de mim, deixei lá no sul. |
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Fernando Tanajura Menezes, na noite de autografos, Boston. |
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Fernando Tanajura Menezes em Boston |
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E-Mail para o escritor F.Menezes |
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